Curadores Mostra Nordeste 24º FNT | Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga – 2017
6 de julho de 2017

Curadores Mostra Nordeste 24º FNT

FELIPE DE ASSIS (BA)

Artista da cena, produtor cultural, pesquisador e curador, trabalha desenvolvendo projetos culturais com interesse no desenvolvimento humano. Colabora com comissões de seleção e curadorias independentes. Mestre em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia (PPGAC  UFBA). Graduado em Direção Teatral pela Escola de Teatro da UFBA. Co-criador do Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (Fiac Bahia), no qual atua como coordenador geral e curador desde 2008. Criador e curador do Ponto Fiac, festival de música e artes visuais. Coordenou os projetos Mediação Fiac e Mediação Cultural, programa de formação em artes cênicas em Salvador e Região Metropolitana. Foi coordenador da Aliança Francesa de Salvador.

Fundamentação da Seleção:  Orientado pela ideia de celebração dos afetos contida nos documentos da organização, refleti sobre como isso poderia se concretizar na programação artística do Festival. Lembrei da minha participação em 2015, na qual pude perceber o envolvimento e alegria da população com o Festival, uma ação efetivamente transformadora na vida da cidade. Ao me deparar com a força de mobilização e engajamento da população, sobretudo dos jovens, e do forte sentido de pertencimento e compartilhamento de experiência coletiva, naquele momento, reconheci a força do evento na cidade, seu papel e compromisso político. Política aqui compreendida como o exercício da diversidade, do debate de idéias e do respeito ao coletivo.

Deste modo, busquei colocar em relevo trabalhos implicados em discutir as relações sociais e coletivas num trânsito permanente entre o público e o privado, o doméstico e o coletivo, a intimidade e a exposição. Obras com predisposição ao risco, inquietação formal e o reprocessamento de informações e referências, realizando soluções cênicas que dificultam a demarcação de limites entre as linguagens.

Estes espetáculos colocam em foco populações historicamente marginalizadas de um país com desigualdades de escala continental.


FRANCIS WILKER (GO)

Professor do curso de Teatro da Universidade Federal do Ceara (UFC). Fundador e diretor artístico do grupo brasiliense Teatro do Concreto. Mestre em Artes Cênicas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), onde, atualmente desenvolve sua pesquisa de doutorado. Dedica-se ao estudo da encenação no espaço urbano, tendo recebido, em 2011, o Prêmio SESC do Teatro Candango como Melhor Diretor pelo espetáculo “Entrepartidas”. Integra o projeto Aisthesis, que se dedica a pensar procedimentos de criação entre o teatro, a dança contemporânea e a performance. Além disso, colabora periodicamente com festivais de teatro como debatedor, curador e crítico, como o Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília – e com sites e revistas especializadas, como o paulistano Teatrojornal – leituras de cena.

Fundamentação da Seleção: O percurso de análise que procurei realizar na apreciação dos projetos inscritos para a 24ª edição do Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga pautou-se nos seguintes vetores: trabalhos que articulam experimentações na zona de contaminação entre teatro e a performance, desse modo, mais interessados na presentificação de situações que na idéia de representação; priorização de artistas e grupos que não participaram das últimas 3 edições do Festival, com o objetivo de possibilitar ao público do festival o contato com outras “paisagens poéticas”. Em outra perspectiva, escolhi uma idéia ou conceito que passa pela noção de uma certa “poética da resistência” como um possível ímã aglutinador dessas escolhas.

(…) O desejo com essas escolhas é o de configurar uma paisagem poética de um teatro nordestino interessado nos procedimentos técnicos, poéticos e éticos em debate na cena contemporânea, marcadamente colocando em questão os elementos da própria linguagem e correndo riscos na corda bamba da criação artística, inclusive o risco de não agradar, de não lidar como os signos e construções narrativas mais habituais das plateias. Criações que atritam, incomodam, exigem que o espectador construa sentidos por outras portas da percepção e encontre seus fios narrativos próprios.


MAGELA LIMA (CE)

Jornalista, formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e mestre em Teatro pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), cursa doutorado, também em Teatro, na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Como repórter, passou pelo jornal Diário do Nordeste, de 2003 a 2009. Na sequência, foi editor executivo do jornal O POVO até 2012, sempre dedicado aos suplementos de cultura. Como professor, fez parte da equipe dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Rádio & TV nas faculdades Nordeste (FANOR). Atualmente, compõe o corpo docente do Centro Universitário 7 de Setembro (UNI7). Entre 2013 e 2016, atuou como secretário de Cultura da Prefeitura Municipal de Fortaleza.

Fundamentação da Seleção: A seleção procurou orientar-se, inicialmente, pela provocação de dialogar com o trabalho de grupos com repertório. Nesse sentido, companhias que formalmente apresentaram mais de um espetáculo foram priorizadas. Dentre estas, foi observado ainda o histórico de cada uma, no sentido de garantir visibilidade para artistas e coletivos com maior tempo de atividade. Outro fator decisivo para a escolha final foi o critério da abrangência geográfica. Deliberadamente, optei por selecionar produções de cinco diferentes estados do Nordeste. Por fim, pautei a seleção final na diversidade do panorama. No recorte proposto, temos espetáculos de rua, espetáculos para crianças, clown, experimentos contemporâneos e trabalhos mais ligados à tradição.

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